Rodo de aplicativo em Brasília há 8 anos. Já são 29 mil viagens rodadas, a maior parte delas na Uber. Numa das minhas semanas de sprint fiz 222 corridas e fechei R$6.114 brutos. Não foi golpe de sorte, e não foi porque troquei de carro do dia pra noite. Foi entender como esse aplicativo específico funciona por dentro e ajustar minha rotina em cima disso.

Esse texto é sobre a Uber, não sobre "aplicativo" de forma genérica. A 99 tem lógica parecida em alguns pontos e diferente em outros, isso eu trato à parte. Aqui o foco é prático: como a Uber decide qual corrida te mandar, a diferença real entre as categorias que ela oferece em Brasília, o que é o modo de destino e por que vale acompanhar a hora de pico em vez de só esperar ela aparecer.

Como a Uber decide qual corrida te mandar

A Uber usa a taxa de aceitação como um dos fatores que pesam na hora de decidir a prioridade de corrida que chega pra cada motorista. Motorista com taxa de aceitação mais consistente tende a receber chamado com mais frequência do que motorista que recusa demais, na mesma região e no mesmo horário. Isso é como o sistema de match funciona, não é opinião.

Mas isso não quer dizer que você deve aceitar toda corrida que aparecer na tela. O que a Uber observa é o padrão ao longo do tempo, não a recusa pontual. Recusar a corrida ruim (deslocamento longo até o passageiro, valor baixo pro trajeto, ou uma corrida que te tira justamente da região que está pagando bem) e aceitar a maioria das boas mantém sua taxa numa faixa saudável sem te obrigar a rodar no prejuízo.

O erro que eu mais vejo é motorista tratando taxa de aceitação como prova escolar, precisando fechar em 100%. Não precisa. Precisa ficar consistente o bastante pra o sistema continuar te oferecendo corrida. Uma recusa bem escolhida vale mais do que uma sequência de corridas ruins aceitas por medo de "cair no sistema".

Um jeito prático de decidir na hora: compare a distância até o passageiro com a média das corridas boas que você costuma fechar naquele mesmo bairro e horário. Se a distância até o passageiro estiver bem acima dessa média, quase sempre não compensa, mesmo que o valor da corrida em si pareça razoável. Esse tipo de comparação rápida, feita corrida a corrida, é o que separa quem acerta na maioria das vezes de quem só está adivinhando.

UberX, Comfort ou Black: o que muda em Brasília

A Uber separa suas categorias por tipo de carro e nível de serviço. Em Brasília, as três que mais aparecem pro motorista comum são UberX, Comfort e Black, e cada uma pede um jeito diferente de rodar.

UberX é a porta de entrada. Qualquer carro dentro dos requisitos básicos da Uber roda nela, é onde está o maior volume de chamado da cidade e, por isso mesmo, também a maior concorrência entre motoristas no mesmo horário.

Comfort pede carro mais novo, com mais espaço interno, geralmente sedã dentro de critérios que a Uber vai atualizando com o tempo, além de avaliação alta do motorista. Paga mais por corrida do que o X, mas o volume de chamado é bem menor. Quem já tem o carro dentro do critério e mantém boa avaliação consegue habilitar sem custo extra.

Black pede carro específico, normalmente sedã escuro dentro de um padrão de ano e conforto definido pela própria Uber, e costuma envolver cadastro e documentação à parte. Paga mais ainda por corrida, só que o volume em Brasília é bem mais baixo que X e Comfort, e o passageiro que pede Black costuma ser mais exigente com pontualidade e comportamento.

Se o seu carro está habilitado pra mais de uma categoria, a Uber deixa você escolher, direto no app, em quais delas quer receber chamado naquele momento. Rodar com todas ativas ao mesmo tempo maximiza o volume de corrida que aparece. Mas em horário de demanda mais fraca no X, vale testar deixar só Comfort e Black ligados por um tempo: o público dessas duas costuma variar menos ao longo do dia do que o público do X, que segue de perto o horário de pico da cidade.

Vale reforçar um ponto que já cobri no guia completo de ganhos: trocar de categoria sem antes dominar o método (corrida certa, horário certo, região certa) rende pouco. Já vi motorista trocar de carro pra rodar Comfort e faturar quase o mesmo que fazia no X, porque o problema nunca foi a categoria. Categoria multiplica um método que já funciona, ela não substitui método nenhum.

Modo de destino: um recurso que quase ninguém usa direito

O modo de destino da Uber deixa você avisar pro app que está indo pra um lugar específico, voltando pra casa ou buscando o filho na escola, por exemplo, e o sistema tenta te mandar corrida que segue essa direção.

O uso mais óbvio, e o que eu mais recomendo, é no fim do turno. Em vez de desligar o app no meio da cidade e voltar pra casa sem ganhar nada nesse trajeto, você ativa o modo de destino, define o endereço, e ainda tem chance de fechar uma corrida que te leva pra lá ou perto dali. É tempo de deslocamento que você ia gastar de qualquer jeito.

A Uber limita quantas vezes por dia dá pra usar esse modo, então não vale ativar toda hora sem necessidade. Guarde pro momento que realmente importa: fim de turno, compromisso fixo marcado, ou trajeto que você faria de qualquer forma. Usar cedo demais ou sem necessidade real desperdiça um recurso que é limitado por natureza.

Hora de pico: acompanhar em vez de só torcer pra aparecer

A Uber mostra em tempo real quando uma região está com demanda maior que oferta de motorista, o que aparece no mapa como área de preço mais alto (é o que o pessoal chama de "hora de pico" ou surge). Isso não é fixo por horário. Muda de dia pra dia dependendo de evento, clima, greve de transporte público, feriado, o que for.

O erro é tratar hora de pico como se ela só existisse às sextas de tardezinha. Existe, mas está longe de ser a única. Brasília tem um padrão de demanda bem marcado pelo jeito que a cidade se move: concentração de gente saindo do trabalho em horário parecido, esvaziamento do Plano Piloto à noite, picos pontuais perto do Aeroporto JK em horário de voo cheio, e eventos em locais específicos que puxam demanda alta por poucas horas.

O que funciona de verdade é acompanhar, na prática e por um período de semanas, em que dias e horários a sua região costuma mostrar mais surge, e ajustar sua rotina pra estar rodando (ou pelo menos disponível) nesses momentos. Rodar sempre as mesmas horas só porque é o horário que você sempre rodou é abrir mão de dinheiro que está passando na sua frente.

Alta performance, do jeito que eu defino, é faturar de R$3 a R$5 mil brutos por semana rodando Uber. Não existe categoria de carro nem recurso do app que substitua entender esses quatro pontos junto: taxa de aceitação usada com critério, categoria certa pro seu carro, modo de destino ativado na hora certa, e hora de pico acompanhada de verdade, não só sentida de vez em quando.

Uber sozinha ou Uber junto com outro app

Tudo que descrevi até aqui vale rodando só na Uber. Mas rodar só num app significa aceitar o preço que ele está pagando naquele momento, mesmo quando outro app está pagando melhor na mesma região e no mesmo horário. Se você já domina a lógica da Uber que passei aqui, o próximo passo natural é aprender a comparar em tempo real e decidir onde compensa mais, sem perder corrida de um app enquanto está em corrida no outro. Isso está detalhado em rodar nos dois apps.

Por onde continuar

Esse texto é um recorte específico sobre a Uber. Se você quer a visão completa, que junta Uber e 99, o cálculo do custo real por quilômetro e a diferença entre categoria e método num só lugar, os links abaixo levam pra lá.

Guia completo

Como aumentar os ganhos na Uber e na 99 em Brasília

Estratégia

Uber ou 99: como rodar nos dois apps

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